<T->
           A Escola  Nossa
           Histria -- 4a. srie
           Ensino Fundamental

           Rosemeire Alves 
           Maria Eugnia 
           Bellusci 
           
<F->
Impresso Braille em 3 partes na diagramao de 28 linhas por 34 caracteres, da 1a. edio, So Paulo, 2006, da editora 
Scipione.
<F+>

           Segunda Parte

           Ministrio da Educao
           Instituto Benjamin Constant
           Av. Pasteur, 350-368 -- Urca
           22290-240 Rio de Janeiro 
           RJ -- Brasil
           Tel.: (21) 3478-4400
           Fax: (21) 3478-4444
          E-mail: ~,ibc@ibc.gov.br~, 
          ~,http:www.ibc.gov.br~,
          -- 2007 --
<p>
          Copyright (C) Rosemeire 
          Alves e Maria
          Eugnia Bellusci 
          Direitos desta edio cedidos  Editora Scipione Ltda.

          Edio: 
          Angelo Bellusci Cavalcante

          Assistncia editorial: 
          Marco Csar Pellegrini

          ISBN 85-262-5335-2 -- AL
          ISBN 85-262-5336-0 -- PR
          
          Av. Otaviano Alves de Lima, 4.400 6 andar e andar intermedirio ala "B" Freguesia do 
          CEP 02909-900 -- 
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          Tel.: (11) 3990-1788
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~,www.scipione.com.br~,
e-mail: ~,scipione@scipione.~
  com.br~,
<F+>
<p>
                               I
Sumrio

Segunda Parte

Unidade 4

 O sculo do ouro ::::::::::: 111
 Uma terra que d ouro :::::: 112
 A vida nas vilas e cidades 
  mineiras :::::::::::::::::: 116
 No controle das minas :::::: 125
 Impostos na atualidade ::::: 132
 A crise na minerao ::::::: 135
 O ouro muda a capital da 
  Colnia :::::::::::::::::: 141
 A arte no sculo do ouro ::: 143
 Passeando pela histria
  Primeiros conflitos na
  Amrica portuguesa ::::::: 147

Unidade 5

 Brasil: de Colnia a  
  Repblica :::::::::::::::: 156
 A Corte portuguesa chega  
  capital da Colnia ::::::: 158
<P>
 Servios pblicos essen-
  ciais na atualidade ::::::: 165
 A Colnia passa a ter um 
  novo governante ::::::::::: 167
 O Brasil livre do domnio 
  portugus ::::::::::::::::: 174
 Um imperador no governo do 
  Brasil ::::::::::::::::::: 182
 Um novo sistema de governo: 
  as regncias :::::::::::::: 187
 Passeando pela histria
  Principais revoltas no  
  perodo regencial ::::::::: 189
 Um novo imperador para o 
  Brasil ::::::::::::::::::: 194
 A modernizao das cidades 
  no sculo XIX ::::::::::: 197
 A vida nas fazendas de 
  caf :::::::::::::::::::::: 204
 A queda da Monarquia :::::: 208
<69>
<Thist. escola 4a.>
<t+111>
Unidade 4

O sculo do ouro

  Observe a descrio das fotografias a seguir e as legendas que as acompanham. Elas
apresentam algumas informaes sobre duas cidades histricas brasileiras.

<R+>
_`[{ladeira com calamento de pedras de tamanhos e formas diferentes. Casas baixas junto  calada, com portas e janelas de madeira_`]
 Legenda: A fotografia tirada no ano de 2003, retrata uma rua da cidade de Gois Velho, no atual estado de Gois.
  Ela foi fundada oficialmente no ano de 1732, com o nome de Vila Boa.

_`[{rua com calamento de paraleleppedos. Sobrados com sacadas e portas altas e largas, junto  calada_`]
 Legenda: Essa imagem, produzida por volta de 1993, retrata algumas construes da cidade de Ouro Preto, no atual estado de Minas Gerais.
  Ouro Preto nasceu como um arraial e, em 1711, foi elevada  condio de vila, com o nome de Vila Rica.

 o Em quais estados ficam localizadas as cidades retratadas acima?
 o Em que sculo Ouro Preto e Gois Velho foram fundadas?
 o Observe as construes retratadas nas duas imagens. Elas so construes antigas ou atuais? Quais so os elementos que demonstram isso?
 o Na sua opinio, por que essas cidades so consideradas histricas? Converse com os colegas.
<R->
<70>

Uma terra que d ouro

  Desde o incio do sculo XVI, os colonos portugueses exploravam o territrio em busca de riquezas, como ouro e pedras preciosas. Entretanto, esses minerais preciosos eram encontrados em pequenas quantidades.
  Por volta de 1670, a produo aucareira em nosso territrio comeou a entrar em crise, devido  queda nos preos do acar na Europa. Essa queda nos preos ocorreu por causa da concorrncia do comrcio do acar produzido pelos holandeses nas Antilhas. Na tentativa de encontrar uma soluo para a crise, o rei de Portugal resolveu incentivar a procura por minerais preciosos na Amrica portuguesa, oferecendo grandes vantagens a quem os encontrasse.
  No final do sculo XVII, finalmente, os bandeirantes paulistas encontraram ricas jazidas de ouro na regio que se tornou conhecida como "minas gerais".
<P>
 bom saber

  Com a descoberta das jazidas de ouro, em poucos anos, a atividade mineradora adquiriu grande importncia em nosso territrio.
  Nos primeiros tempos da minerao, o ouro era encontrado nas margens e nos leitos dos riachos, misturado com a areia e com o cascalho, e era chamado de ouro de aluvio.
  Os mineradores precisavam apenas retirar o ouro com as mos, ou, ento, recolher na bateia o cascalho e a areia, e depois lavar essa mistura na gua do riacho. Como o ouro  mais pesado do que o cascalho e a areia, ele ficava depositado no fundo da bateia.

<71>
  A minerao atraiu uma multido de pessoas que vivia nas vrias capitanias da Amrica portuguesa e tambm muita gente de Portugal. Todos dirigiam-se para a regio das minas gerais, que ainda era pouco povoada, com o objetivo de explorar as jazidas de ouro e enriquecer.
  O texto a seguir fala sobre como moravam os primeiros mineradores que chegaram na regio das minas. Leia-o.

  [...] todos os que partiam  procura de ouro reuniam-se em arraiais -- simples aglomerados de choas de barro, que por vezes se espalhavam pelas encostas das montanhas por onde descia o ouro de aluvio. Esses acampamentos eram abandonados to logo comeasse a escassear o metal, nos regatos ou nos barrancos que os ladeavam [...]. Alguns desses arraiais prosperaram com a descoberta de jazidas mais duradouras nas rochas [...].

<R+>
*Saga*: a grande histria do Brasil. So Paulo, Abril Cultural, 1981.
<P>
O que diz o texto

 1- O que eram os arraiais?
 2- Quando os moradores abandonavam os arraiais?
 3- Quando os arraiais prosperavam?
<R->

  Alm das ms condies de moradia, os primeiros moradores dos arraiais sofriam com outros problemas, como a falta de vestimentas, de ferramentas e, principalmente, de comida.
  Os mineradores no tinham interesse em cultivar lavouras e os alimentos precisavam ser trazidos de outros lugares. Devido a isso, o preo dos alimentos tornou-se muito alto.
<72>

A vida nas vilas e cidades 
  mineiras

  Durante o sculo XVIII, muitos dos arraiais que surgiram na regio mineira cresceram e foram transformados em vilas e depois em cidades, entre elas Vila Rica, Congonhas do Campo, Sabar e Ribeiro do Carmo.
  Essas vilas e cidades passaram a abrigar a populao da regio das minas, que cresceu sem parar no decorrer deste sculo.
  Com isso, ao contrrio do que ocorria em outros lugares da Colnia onde a populao se concentrava na rea rural, em torno dos engenhos, na regio mineira a maior parte das pessoas passou a viver na rea urbana.
  Nas vilas e cidades mineiras foram construdos diferentes tipos de moradias e de estabelecimentos comerciais. Algumas dessas construes eram chamadas de solares e tinham dois andares, muitas janelas e as portas principais davam direto para a rua.
  Em algumas dessas residncias, o andar trreo era ocupado por lojas enquanto os moradores viviam no andar superior.
<73>
<P>
  Nessas vilas e cidades geralmente havia uma praa central onde eram instaladas as igrejas e alguns prdios pblicos como a cadeia e a Cmara Municipal.
  Nessa praa, tambm era construdo um pelourinho, que era uma coluna de pedra ou de madeira utilizada para castigar as pessoas que cometiam crimes ou para anunciar as ordens da Coroa portuguesa e as decises dos administradores.

<R+>
_`[{uma foto descrita por sua
  legenda_`]
 Legenda: A fotografia tirada por volta de 2000, retrata a Igreja de So Francisco de Assis,  esquerda; a Igreja de Nossa Senhora do Carmo,  direita; e o pelourinho, em Mariana, no estado de Minas Gerais.
  Muitas das construes erguidas na poca da minerao foram preservadas e ainda hoje podem ser visitadas em algumas cidades do estado de Minas Gerais.
<P>
O que diz a imagem

 1- Identifique em que lugar da praa ficava localizado o pelourinho?
 2- Na sua opinio, por que ele era construdo nesse lugar da praa?
<R->
  
<74>
  Da populao mineira faziam parte, alm dos escravos de origem africana que constituam cerca da metade da populao, os proprietrios de minas e os funcionrios do governo portugus. Tambm viviam na regio diversas outras pessoas que exerciam as mais variadas profisses, como artesos, alfaiates, advogados, comerciantes, entre outros.
  Entre a populao havia muitas pessoas pobres que no tinham condies de ter um grande nmero de escravos. Em geral, essas pessoas possuam apenas dois ou trs escravos e, juntamente com eles, passavam o dia  procura de minas, onde pudessem conseguir ouro e ter uma situao melhor.
  Outros homens pobres dedicavam-se  criao de animais e ao cultivo de pequenas roas, por exemplo, de milho, mandioca, arroz. Tambm havia pessoas que montavam pequenos comrcios, chamados de vendas, onde vendiam  populao os alimentos trazidos de outras regies.
  Na regio das minas havia ainda pessoas desempregadas, sem profisso, que no tinham acesso  minerao. Elas geralmente passavam o dia vagando pelas vilas e cidades sem ter o que comer, aceitando qualquer tipo de trabalho.
  A vida cotidiana nas vilas e cidades mineiras girava em torno da minerao e as atividades nas minas eram realizadas principalmente pelos escravos de origem africana.
  Alm da extrao dos minerais preciosos, os escravos eram utilizados em diversos outros tipos de atividades, por exemplo, em tarefas domsticas, no transporte de pessoas, ou como vendedores ambulantes. Havia tambm escravos que trabalhavam nas oficinas de seus senhores como sapateiros, alfaiates, ferreiros, pedreiros, carpinteiros, entre outros.
<75>
  Nas vilas e cidades viviam tambm alguns escravos alforriados. Um escravo podia ser alforriado, por exemplo, se ele conseguisse dinheiro para comprar sua liberdade ou se o seu senhor decidisse libert-lo.
  Observe as imagens a seguir. Elas representam duas vendedoras ambulantes: uma escrava e uma escrava alforriada.

<R+>
_`[{desenho de duas escravas:
 A -- mulher descala, com roupas simples e uma pea de ferro no pescoo;
 B -- mulher de sapatos, vestindo roupas de boa qualidade, com um tabuleiro na cabea_`]
<P>
O que dizem as imagens

 1- Na sua opinio, qual das imagens retrata uma escrava alforriada?
 2- Cite as caractersticas das pessoas retratadas que confirmam a sua resposta.
<R->

 bom saber

  A maioria dos escravos da regio das minas teve de trabalhar duro e no conseguiu a liberdade. Mas houve escravos que conseguiram a alforria e melhoraram suas condies de vida.
  Esse foi o caso de Chico Rei, um escravo africano que foi trazido para a Amrica portuguesa com sua famlia. Trabalhando nos garimpos, nos poucos dias de folga, ele conseguiu juntar dinheiro para comprar a alforria de seu filho e, algum tempo depois, a prpria alforria. Juntos, pai e filho trabalharam e reuniram dinheiro para alforriar outro parente, e, assim, sucessivamente, conseguiram libertar toda a famlia.
  Chico Rei e seus familiares trabalharam e economizaram at poder comprar uma mina. Explorando essa mina, encontraram muito ouro, enriqueceram, e conquistaram uma posio privilegiada na sociedade mineira.
<76>

  Na regio das minas, a atividade da minerao era considerada a mais importante, e, por isso, poucas pessoas se dedicavam ao cultivo de plantaes ou  criao de animais.
  Em geral, os produtos que abasteciam as cidades e vilas mineiras tinham de vir de longe, de outras regies da Colnia. Por exemplo, do Nordeste vinha o gado bovino, que fornecia carne; do Rio de Janeiro eram trazidos tecidos e ferramentas diversas; do Rio Grande do Sul vinham o gado bovino e a carne-seca, e, tambm,
<P>
 cavalos e mulas que auxiliavam no transporte de mercadorias.

Atividades

<R+>
 1- Na coluna I esto indicadas algumas profisses que eram exercidas nas vilas e cidades da regio das minas. Associe-as  descrio das atividades realizadas em cada uma dessas profisses, escrevendo a letra e o nmero correspondentes.
 Coluna I
 a) Ourives                 
 b) Caiador      
 c) Marceneiro
 d) Espadeiro
 e) Alfaiate
 f) Correeiro

 Coluna II
 1 -- Fazia correias de couro
 2 -- Confeccionava roupas
 3 -- Fazia jias e objetos de ouro
 4 -- Fabricava espadas
<P>
 5 -- Fabricava cal
 6 -- Construa mveis de madeira

 2- O principal objetivo das pessoas que foram para a regio das minas era encontrar ouro e enriquecer. Voc acha que foi isso o que realmente aconteceu com as pessoas que para l se dirigiram?
<R->

<77>
No controle das minas

  Vrias pessoas que foram para a regio mineira acabaram descobrindo novas minas de ouro e tambm de diamante. Apesar de encontrarem as minas, essas pessoas no tinham o direito de control-las. Veja, no texto a seguir, quem passava a controlar as minas descobertas na Colnia e como o controle era feito.

  [...] Todas as jazidas eram de propriedade do rei, que as distribua para explorao [...]. O descobrimento de uma jazida tinha de ser imediatamente comunicado s autoridades, que enviavam funcionrios ao local para demarcao do terreno. A distribuio das jazidas variava de acordo com o nmero de escravos que possusse cada interessado. [...]

<R+>
Mary Del Priore. *Documentos
  de histria do Brasil*: de
  Cabral aos anos 90. So
  Paulo, Scipione, 1997.

O que diz o texto

 1- A quem pertenciam as jazidas encontradas na Colnia?
 2- Qual era o principal critrio empregado pela Coroa portuguesa na distribuio das jazidas?
 3- De acordo com o critrio utilizado pelo rei portugus, com quem ficavam as maiores jazidas?
<R->

  As minas descobertas na Colnia eram controladas pela Coroa portuguesa, que cobrava um imposto, chamado quinto, sobre todo o ouro extrado. Nesse caso, os mineradores eram obrigados a repassar ao governo portugus um quinto de todo o minrio que extraam das jazidas.
  A cobrana desse imposto era controlada por funcionrios portugueses que eram enviados  Colnia pelo rei de Portugal.
  Observe, a seguir, a representao de algumas barras de ouro.

<F->
!:::::::  !:::::::  !:::::::
l 1 kg _  l 1 kg _  l 1 kg _
h:::::::j  h:::::::j  h:::::::j

!:::::::  !:::::::  !:::::::
l 1 kg _  l 1 kg _  l 1 kg _
h:::::::j  h:::::::j  h:::::::j

!:::::::  !:::::::  !:::::::
l 1 kg _  l 1 kg _  l 1 kg _
h:::::::j  h:::::::j  h:::::::j
<P>
!::::::: 
l 1 kg _  
h:::::::j  
<F+>

<R+>
 o Quantos quilogramas de ouro esto representados nessas figuras?
 o Agora, escreva o nmero de barras que correspondem  parte que deveria ser repassada ao governo portugus no pagamento do quinto.
<R->

<78>
  Grande parte dos mineradores no concordavam com a cobrana do quinto e, apesar da fiscalizao, arrumavam maneiras de contrabandear uma parte do que exploravam nas jazidas.
  Na tentativa de impedir esse contrabando e facilitar a fiscalizao, em 1720, o governo portugus decidiu criar as Casas de Fundio, para onde todo o ouro extrado deveria ser levado. Nas Casas de Fundio, funcionrios do governo retiravam o quinto, depois derretiam o metal, transformavam-no em barras, e nelas gravavam um selo real, comprovando o pagamento do imposto.
  As pessoas que eram pegas contrabandeando ouro recebiam severas penas, como a perda de todos os bens e da autorizao para explorar as minas, ou podiam at mesmo ser condenadas  priso.

<R+>
 o Qual era o principal motivo que levava muitos mineradores a contrabandear o ouro?
 o Qual foi a forma encontrada pelo governo portugus para tentar conter o contrabando do ouro?
<R->

 bom saber

  Muitos mineradores procuravam diferentes recursos para contrabandear o ouro e as pedras preciosas que extraam das minas. Uma das formas que encontraram foi introduzir os minerais no interior de imagens de santos, feitas de madeira, e que eram ocas por dentro. Essas imagens passaram a ser chamadas de "santos do pau oco".
<R+>
 o Atualmente, a expresso "santo do pau oco"  bastante utilizada. Voc j ouviu algum empregar essa expresso?
 o Voc sabe o significado dela?
<R->

<79>
  Alm do quinto, o governo portugus criou outros impostos que deveriam ser pagos pelos mineradores.
  A cobrana de impostos pela Coroa portuguesa causava muitas insatisfaes nos mineiros e acabou gerando revoltas populares. Uma dessas revoltas ocorreu em 1720. Diversos mineiros, liderados por Felipe dos Santos, decidiram protestar contra a criao das Casas de Fundio e exigir que os impostos fossem diminudos. A revolta ocorreu em Vila Rica e dela participaram cerca de 2000 pessoas, muitas delas escravos enviados por ordem de seus senhores.
<P>
  O governador da capitania de Minas Gerais acabou com a manifestao, mandou prender muitos
 revoltosos e condenou Felipe dos Santos  morte.

 bom saber

  Desde o incio da minerao, o rei portugus buscou formas de fiscalizar a explorao do ouro e garantir a arrecadao dos impostos. Uma das primeiras medidas tomadas foi mandar seus funcionrios at os arraiais para receber dos mineiros o quinto, que era pago em ouro em p. Depois, determinou que os arraiais fossem transformados em vilas, entre elas Vila Rica, cada qual com sua Cmara Municipal e com governantes que deveriam executar as leis e fiscalizar a cobrana dos impostos.
<80>
<P>
Impostos na atualidade

  No sculo XVIII, o governo portugus cobrava diferentes tipos de impostos dos moradores da Colnia: sobre os minerais explorados, sobre cada escravo que trabalhava nas jazidas, para entrar e sair das minas com mercadorias, para transitar pelo territrio mineiro, entre outros.
  Hoje em dia, a populao brasileira tambm paga diferentes tipos de impostos: sobre a renda obtida, na aquisio de mercadorias ou bens, na realizao de atividades financeiras, na utilizao de meios de transporte etc.
  A cobrana desses impostos  feita pelos governos municipal, estadual ou federal, que tambm so os responsveis pela administrao do dinheiro arrecadado. Parte desses recursos  aplicado em servios que beneficiam toda a populao, por exemplo, nas reas da sade, educao, segurana, lazer, entre outros.
  Conhea alguns dos impostos cobrados atualmente.

<R+>
_`[{tabela com trs colunas assim 
  intituladas:
  a) Sigla
  b) Significado
  c) Arrecadao e aplicao
  A seguir, transcrio do contedo da tabela_`]

a) CPMF
 b) Contribuio provisria por movimentao financeira
 c) Cobrada pelo governo federal sobre diversos tipos de movimentao financeira, como saques em conta corrente bancria. Os recursos arrecadados so destinados  rea da sade.

a) IPTU
 b) Imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana
 c) Cobrado anualmente, pelo governo municipal, dos proprietrios de imveis urbanos. Seus recursos so destinados, por exemplo,  construo e manuteno de ruas e caladas.

a) IPVA
 b) Imposto sobre a propriedade de veculos automotores
 c) Cobrado anualmente, pelo governo estadual, dos proprietrios de veculos automotores. Os recursos arrecadados so utilizados, por exemplo, na construo e manuteno de estradas.
<R->

Minhas idias, nossas idias

  Vimos que parte do dinheiro arrecadado por meio dos impostos deve ser utilizada para melhorar a qualidade de vida da populao.

<R+>
 1- Voc acha que o dinheiro dos impostos sempre  utilizado de maneira adequada? Por qu?
 2- Na sua opinio, o que acontece quando o dinheiro arrecadado com os impostos no  utilizado de forma adequada? Quem perde com isso?
<R->
<81>

A crise na minerao

  A explorao do ouro na Amrica portuguesa ocorreu ao longo de todo o sculo XVIII. A quantidade desse metal que foi extrada das minas variou bastante durante esse perodo.
  Veja, no grfico a seguir, algumas informaes sobre a produo do ouro no decorrer desse sculo.

 Produo de ouro no sculo 
  XVIII

<R+>
_`[{contedo do grfico, transcrito 
  a seguir_`]
 1705 --
  Minas Gerais 1,5 toneladas
 1710 -- 
  Minas Gerais 4,4 toneladas
 1715 -- 
  Minas Gerais 6,5 toneladas
<P>
 1720 -- 
  Minas Gerais 6,5 toneladas
 1725 -- 
  Minas Gerais e Mato Grosso 7,6 toneladas
 1729 -- 
  Minas Gerais e Mato Grosso 8,5 toneladas
 1734 -- 
  Minas Gerais, Gois e Mato Grosso 9,0 toneladas
 1739 -- 
  Minas Gerais, Gois e Mato Grosso 14,1 toneladas
 1744 -- 
  Minas Gerais, Gois e Mato Grosso 14,1 toneladas
 1749 -- 
  Minas Gerais, Gois e Mato Grosso 14,8 toneladas  
 1754 -- 
  Minas Gerais, Gois e Mato Grosso 15,8 toneladas
 1759 -- 
  Minas Gerais, Gois e Mato Grosso 12,6 toneladas 
<P>
 1764 -- 
  Minas Gerais, Gois e Mato Grosso 10,5 toneladas
 1769 -- 
  Minas Gerais, Gois e Mato Grosso 9,8 toneladas
 1774 -- 
  Minas Gerais, Gois e Mato Grosso 8,8 toneladas
 1779 -- 
  Minas Gerais, Gois e Mato Grosso 8,1 toneladas
 1784 -- 
  Minas Gerais, Gois e Mato Grosso 6,3 toneladas
 1789 -- 
  Minas Gerais, Gois e Mato Grosso 4,9 toneladas
 1794 -- 
  Minas Gerais, Gois e Mato Grosso 4,5 toneladas
<P>
 1799 -- 
  Minas Gerais, Gois e Mato Grosso 4,4 toneladas

Flavio de Campos e Miriam 
  Dolhnikoff. *Atlas de Histria do Brasil*. So Paulo, 
  Scipione, 1993.

 De acordo com o grfico, em que ano a produo do ouro foi maior?
 Quantas toneladas de ouro foram produzidas nesse ano?
 Uma tonelada corresponde a 1000 quilogramas. Calcule em quilogramas a quantidade de ouro que foi extrada das minas no ano de maior produo.
 De acordo com a descrio do grfico, em quais estados brasileiros atuais houve a explorao de ouro?
 Em qual dos atuais estados representados no grfico houve maior produo de ouro?
<R->
<P>
  No decorrer do sculo XVIII, a produo de ouro no atual estado de Minas Gerais foi intensa. Com isso, a maioria das jazidas foi se esgotando e, a partir da segunda metade do sculo, a minerao comeou a entrar em declnio.
  Devido  queda na produo, os donos das minas no mais conseguiam extrair ouro suficiente para pagar os impostos ao governo portugus, e suas dvidas foram se acumulando ano aps ano.
  Apesar do declnio na minerao, a Coroa portuguesa no deixou de cobrar os impostos, que deveriam corresponder a um total de 100 arrobas, ou seja, 1500 quilogramas de ouro por ano.
<82>
  Veja, no texto a seguir, qual foi a medida tomada pelo rei de Portugal para tentar receber as dvidas dos mineradores.

  [...] em vez de diminuir os impostos, criou a derrama, exigindo que todos contribussem para atingir as cem arrobas. Mais que qualquer outra medida, a derrama serviu para despertar a indignao [...] da populao das vilas mineiras.

<R+>
*Saga*: a grande histria do Brasil. So Paulo, Abril Cultural, 1981.

O que diz o texto

 1- Qual foi a principal medida tomada pelo rei de Portugal para receber os impostos atrasados?
 2- Qual foi a reao da populao mineira?
<R->

  Essa medida do rei de Portugal acabou gerando uma grande insatisfao na populao mineira. No ano de 1789, em Vila Rica, vrias pessoas decidiram se reunir e organizar uma revolta, conhecida como Conjurao Mineira. Dela participaram grandes proprietrios de terra, ricos mineradores, escritores, padres, militares, entre outros. Os revoltosos pretendiam prender o governador da capitania de Minas Gerais e libertar a Colnia do domnio portugus, isto , torn-la independente de Portugal.
  A revolta no chegou a acontecer. s vsperas de seu incio um dos participantes traiu os companheiros e denunciou o movimento. O governador mandou prender os revoltosos, e alguns deles foram expulsos da Colnia. Joaquim Jos da Silva Xavier, conhecido como Tiradentes, considerado o principal lder, foi condenado  morte e enforcado no dia 21 de abril de 1792.

<83>
O ouro muda a capital da Colnia

  A atividade da minerao foi responsvel por diversas mudanas na Colnia. Ela contribuiu para a urbanizao da regio mineira e para o povoamento de uma grande rea do interior do territrio. Alm disso, essa atividade provocou a transferncia da capital da Colnia de Salvador para o Rio de Janeiro.
  Observe no mapa _`[{no transcrito_`] a localizao dessas duas cidades e a localizao de Vila Rica, naquela poca, capital da capitania de Minas Gerais. Nessa capitania ficavam localizadas as mais ricas jazidas de ouro e de diamante da Colnia, no sculo XVIII.

A Amrica portuguesa em 1763

<F->
==================================
  pea orientao ao professor  y
gggggggggggggggggggggggggggggggggg
<F+>

<R+>
O que diz a imagem

 1- Que semelhana voc percebe que existe entre a localizao da cidade de Salvador e a do Rio de Janeiro?
 2- Qual cidade ficava localizada mais prxima  Vila Rica: Salvador ou Rio de Janeiro?
<R->

  A transferncia da capital da Colnia ocorreu em 1763. Ela foi determinada pelo rei de Portugal, que pretendia trazer a sede do governo-geral para um lugar mais prximo da regio mineradora. Outro fator que colaborou para essa mudana foi que no Rio de Janeiro ficava localizado o porto onde era embarcado o ouro para Portugal. Com a instalao da capital na cidade do Rio de Janeiro, ficava mais fcil a fiscalizao do embarque do ouro.
<84>

A arte no sculo do ouro

  A explorao das minas de ouro e de diamante gerou uma grande riqueza para a capitania de Minas Gerais. Os donos das minas, que possuam mais posses, doavam uma
<P>
 parte de sua fortuna para as irmandades religiosas.
  Essas irmandades religiosas aplicavam as doaes que recebiam na construo de igrejas e, tam-
 bm, na contratao de pintores e escultores para ornamentar essas igrejas.
  Muitas das igrejas que foram construdas no sculo XVIII, e tambm as obras de arte produzidas para ornament-las, tornaram-se parte do patrimnio histrico e artstico brasileiro, e podem ser vistas ainda hoje em vrias cidades de Minas Gerais.

<R+>
_`[{foto 1: altar-mor de uma
  igreja_`]
 Legenda: Os ornamentos de vrias igrejas refletem o enriquecimento trazido pelo ouro. A fotografia tirada em 2000, retrata a Igreja de Nossa Senhora da Conceio, que fica localizada no atual municpio de Catas Altas. Essa igreja teve o
<P>
  seu altar todo decorado em ouro puro.

_`[{foto 2: pintura no teto de uma igreja representando o cu com anjos e santos_`]
 Legenda: Algumas igrejas tiveram o teto pintado com imagens sacras, como  o caso da Igreja de So Francisco de Assis, que fica em Ouro Preto, antiga Vila Rica. A fotografia tirada em 1989, retrata a pintura do teto dessa igreja, que foi feita por Manoel da Costa Atade, e  considerada uma das obras-primas da arte brasileira no sculo XVIII.
<R->
<85>

  Muitos artistas viveram e trabalharam nas vilas e cidades mineiras. Porm, houve um artista que se destacou, Antnio Francisco Lisboa. Ele ficou conhecido como Aleijadinho, por causa de uma doena que lhe deformou os ps e as mos.
  Filho de um mestre-de-obras portugus e de uma escrava, Aleijadinho foi um grande escultor e arquiteto, e  considerado o maior artista brasileiro do sculo XVIII.

<R+>
_`[{foto 3: fachada de uma
  igreja_`]
 Legenda: Essa fotografia tirada em 1998, retrata a fachada da Igreja So Francisco de Assis, localizada na cidade de Ouro Preto. Alm de criar o projeto dessa igreja, Aleijadinho decorou sua fachada e fez vrias das esculturas que se encontram em seu interior.

_`[{foto 4: esttua representando, em tamanho natural, o profeta Daniel_`]
 Legenda: A fotografia, tirada em 1997, retrata a esttua do profeta Daniel, pertencente a um conjunto de 12 esttuas que representam alguns personagens bblicos. Esse conjunto, chamado "Os Profetas", encontra-se no ptio do Santurio de Bom Jesus de Matosinhos, na cidade de Congonhas. Cada uma dessas esttuas foi esculpida em pedra-sabo por Aleijadinho, quando a doena da qual ele sofria j estava em estado avanado e quase lhe impedia os movimentos.

 o Qual das imagens apresentadas nas pginas de 144 a 147 mais chamou sua ateno? Por qu? Comente com os colegas.
<R->

<86>
Passeando pela histria

Primeiros conflitos na Amrica 
  portuguesa

  Desde que chegaram ao nosso territrio, no sculo XVI, os portugueses impuseram seu domnio e controle sobre as pessoas que aqui viviam.
<P>
  Os povos indgenas foram os primeiros a sofrer com o domnio portugus e tiveram de lutar pela liberdade, por suas terras e pela preservao de sua cultura. Depois, foi a vez dos africanos que foram escravizados e tambm tiveram de lutar pela liberdade.
  No decorrer dos anos, outros grupos, de diversos lugares do territrio e por diferentes motivos, tambm demonstraram sua insatisfao por ter de atender sempre aos interesses portugueses. Muitas vezes, essas insatisfaes eram manifestadas por meio de revoltas, como foi o caso da Revolta de Felipe dos Santos e da Conjurao Mineira.
  Veja, na descrio do mapa a seguir, as primeiras revoltas populares que ocorreram na Amrica portuguesa, nos sculos XVII e XVIII, contra a dominao do rei de Portugal e dos governantes que ele nomeava.
<P>
Primeiras revoltas na Amrica 
  portuguesa

<R+>
_`[{contedo do mapa, transcrito a seguir_`]
 Conflitos na Colnia:
  Revolta de Beckman -- 1684-1685
  Maranho
  Guerra dos Mascates -- 1710-1711
  Pernambuco
  Conjurao Baiana -- 1798
  Salvador
  Revolta de Felipe dos Santos -- 1730
  Conjurao Mineira -- 1789
  Vila Rica
 Diviso administrativa no final do sculo XVIII: Capitanias

Adaptado de Jos Jobson de A. Arruda. *Atlas Histrico Bsico*. So Paulo, tica, 1995.
<P>
1- Observe a descrio do mapa e verifique como era dividido o territrio que hoje corresponde ao Brasil?
 2- E hoje em dia, como  dividido o nosso territrio?
<87>

 3- Leia a seguir informaes sobre algumas das revoltas apresentadas no mapa.
<R->
  a) Revolta iniciada em 1684, por senhores-de-engenho maranhenses contra a Companhia de Comrcio do Maranho. Essa companhia, criada pelo governo portugus, era responsvel pela comercializao de mercadorias e de escravos africanos na regio e explorava os colonos praticando preos muito altos. A explorao foi tanta que os colonos acabaram se revoltando, fecharam a Companhia de Comrcio e depuseram as autoridades.
  O movimento durou at 1685, quando o novo governador do Maranho assumiu o governo e sufocou o movimento. Manuel Beckman, lder da revolta, tentou escapar, mas foi capturado e enforcado enquanto outros integrantes foram presos e expulsos da Colnia.
  b) Essa guerra ocorreu por volta de 1710, na capitania de Pernambuco. O motivo foi uma rivalidade entre os senhores-de-engenho de Olinda e os comerciantes do Recife, em sua maioria portugueses, denominados "mascates". Nessa poca, o Recife havia se tornado o centro comercial da capitania e, por isso, foi transformada em vila, libertando-se do domnio de Olinda. Os senhores olindenses, insatisfeitos com a perda do poder administrativo sobre o Recife, invadiram-na e destruram o documento de criao da vila.
  Em 1711, a Coroa portuguesa nomeou um novo governador para a capitania, que ps fim aos conflitos. Os revoltosos foram presos e alguns deles foram mandados para Portugal.
<P>
  c) Revolta iniciada em 1798, na capitania de Salvador, da qual participaram pessoas pobres da sociedade, e tambm vrias outras pessoas, como padres, soldados, comerciantes, artesos e alfaiates.
  Os revolucionrios desejavam tornar a Colnia independente de Portugal, acabar com a escravido, ter o direito de comercializar mercadorias com outras naes alm de Portugal, aumentar o soldo dos soldados, entre outros.
  A revolta teve fim quando um dos participantes traiu seus companheiros e revelou s autoridades portuguesas onde se encontravam os lderes revolucionrios. As autoridades prenderam os envolvidos e condenaram alguns deles  morte.

<R+>
 a) Observe novamente a descrio do mapa e tente identificar a qual das revoltas cada uma das informaes se refere: Conjurao Baiana, Guerra dos Mascates ou Revolta de Beckman. Anote as respostas.
 b) Quais grupos estavam envolvidos em cada uma das revoltas?
 c) Quais foram os motivos que ocasionaram essas revoltas?

4- Voc j ouviu falar de algum movimento de grupos de pessoas que estejam descontentes com as atitudes do governo? Qual? Comente.
<R->
<88>

Mais atividades

Registrando informaes

<R+>
 o Observe a linha do tempo a seguir. Nela aparecem registradas as datas referentes ao incio de alguns dos conflitos ocorridos na Amrica portuguesa que foram estudados no decorrer desta Unidade. Copie a linha do tempo e, no lugar das letras, escreva o nome desses conflitos de acordo com a data em que ocorreram.

_`[{linha do tempo adaptada_`]
 1684 -- A
 1700 -- 
 1710 -- B
 1720 -- C 
 1789 -- D
 1798 -- E
 1800 -- 

 a) De acordo com a linha do tempo acima, qual das revoltas ocorreu no sculo XVII?
 b) Em qual sculo ocorreram as demais revoltas?
 c) Os revoltosos que participaram da Conjurao Mineira e os que participaram da Conjurao Baiana tinham alguns objetivos e um deles era comum nos dois movimentos. Qual era esse objetivo?
 d) Quanto tempo se passou entre o incio da Conjurao Mineira e o incio da Conjurao Baiana?
<R->
<P>
Em casa

  Converse com seus familiares e procure saber quais so os impostos que so pagos por eles. Anote as informaes obtidas, como a sigla dos impostos, o que elas significam, quem os arrecada (governo municipal, estadual ou federal), quando eles devem ser pagos e, se possvel, qual  a destinao dos recursos.
  Traga essas informaes para a sala de aula e, depois, mostre-as aos colegas. Elabore, com os colegas e o professor, uma lista com as principais informaes sobre os impostos pesquisados pela turma.

               oooooooooooo
<89>
<P>
Unidade 5

Brasil: de Colnia a Repblica

  Provavelmente, voc j deve ter ouvido falar em Monarquia e em Repblica. Mas voc sabe o que essas palavras significam?
  Leia as informaes a seguir e conhea o significado dessas duas palavras.

*Monarquia*

  Forma de governo em que o poder sobre o Estado pertence a uma nica pessoa, no caso, um rei ou rainha, um imperador ou imperatriz...
  Na Monarquia, o governo  geralmente transferido a um dos descendentes do monarca, aps a sua morte ou sua renncia ao trono.

*Repblica*

  Forma de governo em que o Estado  governado por um ou mais representantes, geralmente escolhidos pelo povo por meio de voto, para atender ao interesse geral dos cidados.
  Na Repblica, diferentemente da Monarquia, os representantes do povo governam por tempo determinado.

<R+>
 o Converse com os colegas sobre algumas diferenas entre a Monarquia e a Repblica. Comente sobre os seguintes aspectos: quem so os governantes, como chegam ao poder e quanto tempo ficam no governo.
 o Qual  a forma de governo no Brasil, na atualidade?
 o Na sua opinio, a Monarquia j foi uma forma de governo utilizada no Brasil?
 o Voc sabe de algum pas em que, atualmente, a forma de governo  a Monarquia? Qual?
<R->
<90>
<P>
A Corte portuguesa chega 
  capital da Colnia

  No incio do sculo XIX, a Coroa portuguesa no estava tendo grandes problemas com revoltas na Colnia. Porm, em Portugal, a situao estava muito difcil, por causa de uma guerra que vinha ocorrendo na Europa e envolvia, principalmente, a Frana e a Inglaterra.
  Portugal era aliado da Inglaterra e mantinha relaes comerciais com os ingleses. Por esse motivo, o governo francs ordenou que suas tropas invadissem e dominassem Lisboa, a capital portuguesa.
  Para escapar da invaso, o prncipe regente D. Joo, que governava Portugal, decidiu fugir para o Rio de Janeiro, com sua famlia e a Corte portuguesa.
  O texto a seguir descreve a partida da Corte portuguesa para a Colnia. Leia-o.

  [...] milhares de nobres, funcionrios de alto escalo, padres e criados concentravam-se no cais, tentando embarcar nos 36 navios  disposio da Coroa. [...]
  A esquadra levantou ncora completamente lotada. Alm de 15000 pessoas, levava tudo que pudesse ter algum valor: jias, quadros, mveis, roupas, prataria. Metade do dinheiro circulante em Portugal foi trazido para o Brasil. [...]

<R+>
*Conhecer 2000*: Histria: 
  Brasil. So Paulo, Nova Cultural, 1995.

O que diz o texto

 1- Quais pessoas vieram para o Rio de Janeiro junto com a famlia real?
 2- Ao todo, quantas pessoas embarcaram nos navios da esquadra?
<P>
 3- Alm das pessoas, o que foi trazido nos navios?
<R->

<91>
  D. Joo e a Corte portuguesa chegaram ao Rio de Janeiro, em 7 de maro de 1808, onde foram recebidos pela populao da ci-
 dade.
  Mas a cidade do Rio de Janeiro no estava preparada para receber tantas pessoas de uma s vez. Logo aps a chegada da Corte portuguesa, comeou a ocorrer uma grande confuso na cidade, causada pelos milhares de portugueses recm-chegados, que procuravam lugar para se instalar.
  O Rio de Janeiro, na poca, tinha cerca de 50000 habitantes e no dispunha de moradias para serem vendidas ou alugadas. Havia, ento, um problema: o que fazer para acomodar todas aquelas pessoas?
  Veja no texto a seguir o que as autoridades portuguesas fizeram para resolver esse problema.

  [...] As autoridades encarregadas de acomodar os novos habitantes escolhiam as casas e pregavam na porta um pequeno cartaz com as letras P.R., que significavam Prncipe Regente. Ou seja, tal casa estava requisitada para acomodar algum da Corte. O povo e os despejados [...] leram o P.R. como sendo Ponha-se na Rua. [...]

<R+>
Hernni Donato. *O Cotidiano Brasileiro no Sculo XIX*. So Paulo, Melhoramentos, 1999.
<R->

Minhas idias, nossas idias

  Logo que chegou ao Rio de Janeiro, o governo portugus obrigou muitos moradores a abandonar suas casas para que elas fossem ocupadas pelos portugueses recm-chegados.
<P>
<R+>
 1- Como voc acha que os moradores da cidade se sentiram diante dessa situao? Por qu?
 2- Qual  a sua opinio sobre essa atitude da Coroa portuguesa? 
<R->

<92>
  Na poca da chegada da Corte portuguesa, o Rio de Janeiro era uma cidade formada, em sua maior parte, por ruas estreitas e sem calamento. A maioria dessas ruas era suja, pois no havia servio de limpeza pblica.
  Na cidade no existia gua encanada. A gua que abastecia as moradias tinha de ser recolhida de poos que havia nos terrenos das moradias, ou era coletada nos chafarizes e fontes que ficavam espalhados pela cidade.

<R+>
_`[{foto descrita por sua legenda_`]
 Legenda: Essa imagem  um detalhe de uma pintura do artista Jean Baptiste Debret. Nela, Debret representa um terreno de uma moradia na cidade do Rio de Janeiro, no sculo XIX, e o poo de onde as pessoas tiravam a gua que usavam para beber, lavar roupas, tomar banho etc.
<R->

  Uma outra forma que a populao do Rio de Janeiro tinha para obter gua era compr-la de escravos. Esses escravos eram chamados de aguadeiros e diariamente percorriam as ruas da cidade em carroas vendendo gua de porta em porta.
<93>
  Naquela poca, na capital da Colnia tambm no havia rede de esgoto, e os dejetos eram recolhidos em barris e, ao anoitecer, jogados ao mar. Em muitos casos, o esgoto corria a cu aberto pelas ruas.
  Observe a descrio das duas imagens representando formas utilizadas pela populao do Rio de Janeiro para se abastecer com gua e para eliminar o esgoto domstico.

<R+>
_`[{a -- Grupo de escravos, com jarros e pipas, junto a um chafariz;
 B -- Grupo de escravos esvaziando barris no mar_`]

O que dizem as imagens

 1- O que a imagem A est retratando? E a imagem B?
 2- Quais pessoas eram encarregadas de realizar esses trabalhos?
<R->

  Na cidade do Rio de Janeiro, a maioria dos trabalhos eram realizados pelos escravos de origem africana que exerciam diferentes ocupaes, entre elas a de vendedores de mercadorias. O trabalho escravo tambm era bastante utilizado nas moradias. Neste caso, os escravos eram responsveis por realizar tarefas domsticas como lavar, passar, cozinhar, costurar, buscar gua nas fontes e chafarizes, jogar os dejetos nos rios ou no mar, entre outros.

 bom saber

  Nos primeiros anos aps a chegada da Corte portuguesa ao Rio de Janeiro, vrias melhorias foram feitas na cidade, como o alargamento das ruas principais, a abertura de novas ruas, e a construo de edifcios pblicos. Tambm foram construdos novos aquedutos para melhorar o abastecimento de gua na cidade.
  Essas melhorias, entretanto, beneficiaram principalmente a parcela mais rica da populao. A maioria dos moradores continuou vivendo nas mesmas condies precrias em que viviam antes.
<94>

Servios pblicos essenciais
  na atualidade

  O acesso a servios pblicos  algo essencial para a vida dos moradores de uma cidade, pois permite que eles tenham uma melhor qualidade de vida.
  No incio do sculo XIX, os moradores da cidade do Rio de Janeiro sofriam com a falta de alguns servios pblicos como gua encanada, rede de esgoto, pavimentao das ruas e limpeza pblica.
  Hoje em dia, a maioria das cidades brasileiras j dispem de diferentes tipos de servios. Porm, em algumas cidades, ainda existem bairros em que os moradores no tm acesso a alguns desses servios.
  A fotografia a seguir, tirada em 2003, retrata uma rua de uma cidade brasileira.

<R+>
_`[{uma rua de terra, sem caladas e com lixo acumulado perto das casas_`]

 o Qual servio pblico est faltando no lugar retratado acima?
 o Quais so as possveis dificuldades enfrentadas pelos moradores devido  falta desse servio?
<P>
 o Quais so os servios pblicos que existem no lugar onde voc vive?
 o Quais desses servios voc acha que devem ser melhorados? Por qu?
 o De quem voc acha que  a responsabilidade de oferecer os servios pblicos  populao das cidades?
<R->

 bom saber

  Hoje em dia, em lugares onde no h gua encanada, ainda  comum as pessoas recorrerem a poos e minas para coletar a gua que utilizam no consumo dirio.
<95>

A Colnia passa a ter um novo
  governante

  Com a instalao da Corte no Rio de Janeiro, a cidade tornou-se a sede do governo e da administrao da Coroa portuguesa. Com isso, nosso territrio passou a ser administrado diretamente pelo prncipe regente D. Joo, que tratou logo de tomar algumas medidas para estimular as atividades econmicas e culturais na Amrica portuguesa.
  Veja, a seguir, quais foram as principais medidas tomadas por D. Joo.

<R+>
 -- Promoveu a abertura dos portos a todas as naes amigas, tornando livre o comrcio com outras naes, alm de Portugal.
 -- Concedeu permisso para a instalao de fbricas na Colnia, o que at aquela poca estava proibido.
 -- Fundou o Banco do Brasil, com a finalidade de regulamentar os impostos.
 -- Criou a Biblioteca Real, atual Biblioteca Nacional.
 -- Criou a Imprensa Rgia, que publicou o primeiro jornal impresso no Brasil, chamado
  Gazeta do Rio de Janeiro.
 -- Fundou escolas de medicina em Salvador e no Rio de Janeiro.
 -- Inaugurou o Jardim Botnico, no Rio de Janeiro.

 Aps a chegada da Corte portuguesa, quem passou a governar a Colnia?
 Antes da chegada da Corte ao Rio de Janeiro, quem era encarregado de administrar a Colnia?
 E, hoje em dia, quem governa o Brasil?
<R->
<96>

 bom saber

  Uma outra medida tomada pelo prncipe D. Joo foi a criao da Escola Real de Cincias, Artes e Ofcios. Para trabalhar como professores nessa escola, ele contratou um grupo de artistas formado por pintores, escultores e arquitetos franceses.
  Durante o perodo em que estiveram em nosso territrio, vrios desses artistas produziram inmeras pinturas. Elas representam fatos marcantes da histria do Brasil e tambm hbitos e costumes das pessoas que aqui viviam durante o sculo XIX.
  Entre os artistas que pertenciam a esse grupo, destaca-se o pintor Jean Baptiste Debret, que aqui esteve entre os anos de 1816 e 1831. As obras desse artista so consideradas, atualmente, importantes fontes de informao sobre o cotidiano da cidade do Rio de Janeiro no sculo XIX e tambm sobre a histria do Brasil.

<R+>
_`[{duas ilustraes descritas por suas legendas_`]
 1- Reproduo de uma pintura de Debret, feita em 1823, em que ele representa escravos participando do entrudo. O entrudo era um tipo de carnaval que era festejado nas ruas do Rio de Janeiro.
<p>
 2- Reproduo de uma pintura de Debret, feita em 1826, representando algumas escravas lavando roupas  beira de um riacho, na cidade do Rio de Janeiro.
<R->
<97>

  Em 1815, D. Joo tomou uma importante deciso: elevou nosso territrio  condio de Reino Unido a Portugal. A partir de ento, o Brasil deixou de ser colnia. Porm, continuou sendo governado por D. Joo, e os principais cargos polticos e administrativos permaneceram nas mos dos portugueses.
  Essa situao causava insatisfao entre os brasileiros, pois eles tinham uma participao pequena na administrao e nas decises mais importantes. Alm disso, a populao estava descontente com o governo de D. Joo devido aos constantes aumentos nos impostos e ao crescimento da misria entre a populao. A insatisfao dos brasileiros acabou gerando revoltas contra o domnio portugus no Brasil. Uma das maiores revoltas ocorreu em Pernambuco, em 1817, e ficou conhecida como Revoluo Pernambucana. Dela participaram pessoas de diversos grupos da sociedade, como militares, fazendeiros, comerciantes, artesos e padres.
  Os revoltosos pretendiam libertar o Brasil do domnio de Portugal e instalar um governo republicano.
  Para combater a revolta, D. Joo enviou tropas que atacaram Pernambuco por terra e pelo mar, e em pouco tempo dominaram a revolta. Os lderes da Revoluo Pernambucana foram presos e, muitos deles, condenados  morte.

<R+>
_`[{ilustrao da bandeira dos revolucionrios. Nela vem-se: o arco-ris com trs cores apenas (verde, amarelo e vermelho), uma cruz, o sol e uma estrela_`]
 Legenda: Reproduo da bandeira da Revoluo Pernambucana, que  tambm a atual bandeira do estado de Pernambuco.

 Quais eram os principais motivos de insatisfao dos brasileiros em relao ao governo de D. Joo?
 Voc acha que problemas como esses ainda hoje so enfrentados pela populao do Brasil?
<R->

<98>
  Algumas medidas tomadas por D. Joo desagradaram tambm a alguns grupos de portugueses. Alm disso, em Portugal, a populao no aceitava que o rei e a Corte permanecessem no Brasil e exigia a sua volta.
  Com isso, em 1821, depois de sofrer muitas presses de polticos portugueses e temendo perder o trono, D. Joo decidiu voltar para Portugal.
  Ao partir, ele levou consigo todo o ouro que havia no Banco do Brasil, jias e obras de arte valiosas, deixando o Brasil em condies financeiras bastante difceis.
  Na administrao do Brasil, D. Joo deixou seu filho D. Pedro, que, em seu governo, deveria seguir as ordens enviadas de Portugal.

<R+>
 Com o retorno de D. Joo VI para Portugal, quem ele deixou em seu lugar governando o Brasil?
 Ao deixar o Brasil, D. Joo levou para Portugal muitas riquezas que pertenciam ao Brasil. Qual  a sua opinio sobre essa atitude de D. Joo?
<R->
<99>

O Brasil livre do domnio
  portugus

  Quando D. Joo e a Corte portuguesa retornaram para Portugal, o reino portugus estava sendo comandado pelas chamadas Cortes de Lisboa, que eram formadas por polticos portugueses.
<P>
  Esse governo pretendia fazer com que o Brasil voltasse a ser uma colnia e exigia que as relaes comerciais fossem feitas somente com Portugal. Tambm exigia que D. Pedro voltasse para Portugal e que a administrao do Brasil fosse entregue ao novo governo portugus.
  Alguns grupos da sociedade brasileira, como os fazendeiros, comerciantes e polticos, no concordavam com essas exigncias. Ento, organizaram um movimento solicitando que o prncipe regente D. Pedro no atendesse s ordens portuguesas e declarasse a independncia definitiva do Brasil em relao a Portugal.

<R+>
 O que aconteceria com o Brasil se ele voltasse a ser colnia portuguesa?
 Qual foi a reao de alguns grupos da sociedade brasileira?
<R->
<P>
  Apoiado por diferentes grupos da sociedade, D. Pedro resistiu s presses de Portugal e, em 7 de setembro de 1822, proclamou a Independncia do Brasil.

<R+>
_`[{ilustrao mostrando o imperador montando a cavalo, erguendo a espada, rodeado por outros cavaleiros tambm a cavalo. Observam a cena  distncia: algumas pessoas perto de uma casa; um homem em cima de um cavalo e um homem conduzindo um carro de boi_`]
 Legenda: Reproduo de uma tela criada pelo pintor brasileiro Pedro Amrico, em 1888. Nessa pintura, ele faz uma representao de como imaginou ter sido a Proclamao da Independncia por D. Pedro.

O que diz a imagem

 1- Observe o ano de produo da tela acima. Quanto tempo aps a
<P>
  Proclamao da Independncia do Brasil ela foi produzida?
 2-  possvel afirmar que essa tela retrata exatamente como foi o momento da Proclamao da Independncia do Brasil?
 3- Nessa tela foram representadas algumas pessoas que no tiveram participao ativa naquele acontecimento. Identifique quais so essas pessoas.
<R->

<100>
  Com a Proclamao da Independncia, finalmente o Brasil tornou-se livre do domnio portugus. Com isso, teve incio o perodo da Monarquia, e o Brasil passou a se chamar Imprio do Brasil. O prncipe D. Pedro foi coroado imperador, e recebeu o ttulo de D. Pedro I.
  Muitas mudanas administrativas ocorreram no Brasil aps a independncia, e elas beneficiaram principalmente as camadas mais ricas da populao. Assim, para a maior parte dos brasileiros as condies de vida no mudaram. A escravido foi mantida, e os escravos, que na poca formavam cerca da metade da populao, em sua maioria continuaram a ser maltratados e sem ter direitos. Para os trabalhadores pobres tambm no houve mudanas, pois eles continuaram vivendo precariamente e trabalhando duro para poder sobreviver.

<R+>
 Cite algumas mudanas que ocorreram no Brasil aps a Proclamao da Independncia. Cite tambm o que permaneceu semelhante.
<R->

 bom saber

  Na cidade de So Paulo existe o Museu Paulista, que foi construdo no local onde acredita-se que D. Pedro proclamou a Independncia do Brasil.
  No jardim desse museu encontra-se o Monumento  Independn-
<P>
 cia, que representa o momento da proclamao.

<101>
Atividades

<R+>
 1- Leia as informaes a seguir e copie-as de acordo com a ordem em que os fatos aconteceram.

 -- A cidade do Rio de Janeiro torna-se a sede do governo e da administrao da Coroa portuguesa. A colnia passa a ser administrada diretamente pelo prncipe regente D. Joo.
 -- D. Joo retorna para Portugal e deixa no governo do Brasil seu filho, D. Pedro.
 -- O imperador francs ordena a invaso de Lisboa, capital de Portugal.
 -- Em 1815, nosso territrio  elevado  condio de Reino Unido a Portugal, deixando de ser uma colnia.
 -- A famlia real e a Corte portuguesa mudam-se para o Rio de Janeiro, para fugir da invaso francesa.
 -- O prncipe regente D. Pedro proclama a Independncia do Brasil e torna-se o primeiro imperador do Brasil, com o ttulo de D. Pedro I.

 2- Observe o grfico a seguir. Ele representa o nmero aproximado de habitantes da cidade do Rio de Janeiro nos anos de 1799, pouco antes da chegada da Corte portuguesa, e 1821, quando a Corte deixou o Brasil.
<P>
Crescimento da populao da
  cidade do Rio de Janeiro

_`[{contedo do grfico, transcrito a seguir_`]
 1821 -- 86000 habitantes
 1799 -- 43000 habitantes

Mary C. Karasch. *A vida dos escravos no Rio de Janeiro (1808-1850)*. So Paulo, Companhia das Letras, 2000.

 a) Quantos habitantes, aproximadamente, havia na cidade do Rio de Janeiro em 1799?
 b) Qual era a populao aproximada dessa cidade em 1821?
 c) De acordo com o grfico, entre os anos de 1799 e 1821, a populao do Rio de Janeiro: triplicou, dobrou ou diminuiu?
<R->
<102>
<P>
Um imperador no governo 
  do Brasil

  Aps a Proclamao da Independncia, o Brasil no precisou mais obedecer s leis de Portugal. Com isso, D. Pedro I convocou uma Assemblia Constituinte para elaborar uma Constituio para o novo pas que nascia.
  A Assemblia se reuniu em maio de 1823 e era formada, em sua maioria, por grandes proprietrios de terra, profissionais liberais, militares, religiosos e funcionrios pblicos. Dessa Assemblia no participaram representantes das camadas mais pobres da sociedade.
  No entanto, essa Constituio no chegou a ser finalizada devido a divergncias entre o imperador e os membros da Assemblia Constituinte.
  Veja, no texto a seguir, quais foram as causas dessas divergncias e qual foi a atitude de D. Pedro I.
<P>
  [...] Dom Pedro queria autonomia e poder absoluto para governar e a Assemblia tentava restringir esse poder.
  Por causa dessas discordncias, o imperador fechou a Assemblia no ms de novembro de 1823 e, em 25 de maro de 1824, outorgou uma
nova Constituio [...].

<R+>
Csar Coll e Ana Teberosky. *Aprendendo Histria e Geografia*. So Paulo, tica, 2000.

O que diz o texto

 1- O que causou divergncias entre o imperador e a Assemblia Constituinte?
 2- Qual foi a atitude do imperador D. Pedro I?
<R->

  O texto da nova Constituio foi determinado pelo prprio D. Pedro I. Essa Constituio estabelecia a existncia de quatro poderes: executivo, legislativo, judicirio e moderador. Dois deles, executivo e moderador, eram exercidos por D. Pedro I e lhe davam poder absoluto para governar o Imprio.
<103>
  A Constituio de 1824 dava poderes para que D. Pedro I governasse sozinho o Brasil. Essa situao causou protestos em vrias provncias.
  A populao de Pernambuco no aceitou essa Constituio e iniciou uma revolta, que se espalhou pelas provncias da Paraba, Cear e Rio Grande do Norte.
  O principal objetivo dos revoltosos era formar uma Repblica na atual regio Nordeste do Brasil e, assim, acabar com a centralizao do poder nas mos do imperador.
  Esse movimento ocorreu em 1824 e foi chamado de Confederao do Equador. Um dos principais lderes dessa manifestao foi um padre, chamado Joaquim do Amor
<P>
Divino, tambm conhecido como Frei Caneca.
  Para controlar essa revolta, D. Pedro I ordenou que as tropas imperiais invadissem Pernambuco e acabassem com o movimento. Depois de muitas lutas, os revoltosos foram dominados e seus lderes, condenados  morte.

<R+>
 O que motivou a revolta da Confederao do Equador?
 Desde que assumiu o governo, aps a Proclamao da Independncia, D. Pedro I imps a sua maneira de governar. Que palavra pode ser empregada para fazer referncia  forma de seu governo: popular ou autoritrio? Por qu?
<R->

<104>
  O governo de D. Pedro I foi marcado por muitas insatisfaes da populao. Um dos principais motivos de insatisfao era a forma autoritria com que ele governava. Outro motivo foi que a situao financeira do Brasil piorou muito, principalmente, por causa do endividamento com pases estrangeiros.
  Alm da populao, polticos e militares que viviam em diferentes provncias faziam oposio ao governo do imperador. Diante dessa oposio, D. Pedro I decidiu renunciar ao governo e voltar para Portugal.

<R+>
_`[{ilustrao descrita por sua legenda_`]
 Legenda: A pintura reproduzida acima, feita por Aurlio de Figueiredo, representa o momento em que D. Pedro I entregava a alguns juzes a carta de abdicao, no dia 7 de abril de 1831.
<R->

  Ao renunciar ao governo, D. Pedro I deixou seu filho D. Pedro de Alcntara, de apenas cinco anos, como herdeiro do trono do Imprio do Brasil.

<R+>
 Por que o filho de D. Pedro I, apesar de ter apenas cinco anos, foi indicado como sucessor do trono?
 Com cinco anos de idade, D. Pedro de Alcntara poderia governar o Brasil? Na sua opinio, como foi resolvida essa situao? Comente.
<R->
<105>

Um novo sistema de governo:
  as regncias

  Com a renncia de D. Pedro I, seu filho e sucessor, D. Pedro de Alcntara, no pde assumir o governo devido  idade que tinha.
  Para governar o Brasil, uma Assemblia formada por importantes polticos indicou pessoas para assumir temporariamente o governo, at que o herdeiro do trono atingisse a maioridade e pudesse administrar o pas. Esses governantes eram chamados de regentes.

<R+>
 A quem foi passada a responsabilidade de administrar o Brasil at que D. Pedro de Alcntara atingisse a maioridade?
 Como esses novos governantes eram escolhidos?
<R->

  No perodo em que o Brasil foi governado por regentes, ocorreram vrias revoltas populares em diferentes provncias. Essas revoltas eram motivadas, principalmente, pela insatisfao da populao brasileira com relao ao governo regencial.
  Em muitas dessas revoltas, pobres e ricos, escravos e senhores uniram-se para protestar contra o governo. Porm, enquanto as camadas mais ricas lutavam pela autonomia das provncias, os grupos mais pobres formados por descendentes de africanos, indgenas e trabalhadores livres lutavam contra a escravido, e por melhores condies de vida.
<P>
<R+>
 Nas revoltas que ocorriam contra o governo regencial, as camadas mais ricas e as mais po-
  bres da populao brasileira se uniram para protestar. De acordo com o que voc viu, essas camadas lutavam pelos mesmos objetivos? Comente.
<R->
<106>

Passeando pela histria

Principais revoltas no perodo 
  regencial

  Veja, a seguir, algumas informaes sobre as principais revoltas que ocorreram no Brasil no perodo em que foi governado por regentes.

<R+>
Cabanagem
 Perodo: De 1835 a 1840
 Onde ocorreu: Provncia do Gro-Par
 Participantes: Principalmente pessoas pobres da populao, como escravos de origem africana, mestios, indgenas, lavradores e seringueiros, que viviam em cabanas miserveis prximas aos rios.
 Principais motivos: Insatisfao com a misria, a fome, a concentrao de terras nas mos dos grandes fazendeiros, a escravido.
 Como terminou: Os lderes da revolta chegaram a assumir o governo da provncia, foram perseguidos, refugiaram-se no interior, mas foram derrotados pelas tropas do exrcito, em 1840.

 Balaiada
 Perodo: De 1838 a 1841
 Onde ocorreu: Provncia do Maranho
 Participantes: Pessoas pobres da populao, como escravos, indgenas e mestios, que se opunham aos proprietrios de terras e comerciantes.
 Principais motivos: Insatisfao com o governante da provncia, que era escolhido pelos regentes do Brasil, com a situao de explorao imposta pelos fazendeiros e tambm com a escravido.
 Como terminou: Os revoltosos foram derrotados pelas tropas do governo brasileiro.

Sabinada
 Perodo: De 1837 a 1838
 Onde ocorreu: Provncia da Bahia
 Participantes: Pessoas pertencentes  classe mdia de Salvador, como intelectuais e comerciantes.
 Principais motivos: Descontentamento com a situao econmica da provncia e com os impostos cobrados pelo governo regencial.
 Como terminou: Os lderes do movimento, apoiados por tropas baianas, tomaram o governo da provncia. Porm, a revolta foi reprimida pelas tropas do governo vindas do Rio de Janeiro.
<107>

Revolta dos Farrapos
 Perodo: De 1835 a 1845
 Onde ocorreu: Provncias do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina
 Participantes: Donos de propriedades rurais, com o apoio de pessoas pobres da populao, como escravos e trabalhadores rurais.
 Principais motivos: Descontentamento com os impostos cobrados pelo governo regencial, principalmente sobre o preo do charque, e o descaso desse governo em relao ao Rio Grande do Sul.
 Como terminou: A liderana da revolta e a do governo assinaram um acordo em que os revoltosos se renderam, foram perdoados e incorporados ao exrcito brasileiro.

 1- Converse com os colegas sobre os principais aspectos das revoltas apresentadas, por exemplo, quais foram os grupos de pessoas que participaram de cada uma delas e quais eram seus objetivos. Em seguida, elaborem uma concluso sobre o assunto.
 2- Produza uma legenda para o mapa descrito a seguir, registrando nela as cores, os nomes das revoltas apresentadas e quando elas ocorreram. Observe o exemplo.

Azul -- Cabanagem -- 1835 a 1840

_`[{mapa destacando, em diferentes cores, as provncias onde ocorreram as principais revoltas:
 Azul -- Gro-Par 
 Amarelo -- Maranho 
 Verde -- Bahia
 Alaranjado -- Rio Grande do Sul e Santa Catarina_`]

Adaptado de Flavio de Campos e Miriam Dolhnikoff. *Atlas de Histria do Brasil*. So  
  Paulo, Scipione, 1993.
<R->
<108>

Um novo imperador para o Brasil

  O governo dos regentes terminou em 1840, quando alguns deputados e senadores brasileiros decidiram antecipar a maioridade de D. Pedro de Alcntara. Isso significava que ele deveria assumir o governo antes de completar dezoito anos.
  Com essa atitude, os polticos esperavam acabar com a insatisfao da populao com o governo  regencial e conter as revoltas que vinham ocorrendo no Brasil.
  Assim, aos catorze anos de idade, D. Pedro de Alcntara foi coroado imperador do Brasil, com o ttulo de D. Pedro II.

<R+>
 O que motivou os polticos a antecipar a coroao de D. Pedro de Alcntara como novo imperador do Brasil?

_`[{ilustrao mostrando um homem coroado segurando um cetro e
<P>
  usando uma capa, de p em frente de um trono_`]
 Legenda: Reproduo de uma pintura, criada pelo artista brasileiro Manuel de Arajo Porto Alegre, em 1840, representando a coroao de D. Pedro II.

O que diz a imagem

 1- Identifique o personagem que est representando o imperador D. Pedro II.
 2- Que elementos so utilizados para simbolizar o poder do imperador?
<R->

  Aps assumir o governo, D. Pedro II manteve a Constituio de 1824, que lhe dava muitos poderes para administrar o Imprio do Brasil.
  Logo nos primeiros anos, o imperador conseguiu acabar com algumas das revoltas que haviam se iniciado no perodo regencial. Em 1841, acabou com a Balaiada e, em 1845, com a Guerra dos Farrapos. No entanto, no decorrer de sua administrao ocorreram outros conflitos em diferentes provncias do Brasil.
<109>
  A maior revolta ocorrida no governo de D. Pedro II aconteceu em 1848, na provncia de Pernambuco, e foi chamada de Revoluo Praieira.
  Dessa revoluo, participaram diferentes grupos da sociedade como jornalistas, comerciantes, fazendeiros, trabalhadores livres e escravos. Esses grupos reuniram-se com o objetivo de manifestar seu descontentamento contra os governantes da provncia, que eram escolhidos pelo imperador.
  Os revoltosos defendiam vrios direitos, entre eles a liberdade de comunicao dos pensamentos por meio da imprensa e, tambm, o direito de voto para todos os brasileiros. Naquela poca, s podiam votar as pessoas que tinham maior renda e, por isso, as eleies
<P>
 eram controladas pelos grandes fazendeiros da regio.
  Os revoltosos chegaram a atacar a cidade do Recife, mas foram derrotados pelo governo da provncia. Seus principais lderes foram condenados  priso e alguns deles foram mortos.

<R+>
 Quais foram os principais direitos defendidos pelos manifestantes da Revoluo Praieira?
  Na poca em que D. Pedro II administrou o Brasil, que pessoas podiam votar nas eleies?
  Voc sabe dizer que pessoas podem votar, atualmente? Comente com os colegas.
<R->
<110>

A modernizao das cidades no 
  sculo XIX

  O perodo do governo de D. Pedro II foi marcado por vrios problemas, mas foi tambm um perodo de grandes transformaes e de modernizao em algumas regies do pas.
  Grande parte das transformaes foi proporcionada pelo desenvolvimento da cultura do caf, que, naquela poca, se tornou a principal riqueza econmica do Brasil.
  O caf foi introduzido no Brasil em 1727, no atual estado do Par, onde foi plantado. At os primeiros anos do sculo XIX, o caf no teve muita importncia para a economia do Brasil, e era produzido mais para o consumo domstico de seus plantadores.
  Depois, passou a ser amplamente cultivado na atual regio Sudeste, principalmente, no Rio de Janeiro e em So Paulo. Nessa poca, o caf passou a ser um produto bastante vendido para outros pases. Os fazendeiros que plantavam caf ficaram muito ricos e eram chamados de "bares do caf".
  Nas fazendas, trabalhava um grande nmero de pessoas. A princpio, os fazendeiros utilizaram
<P>
 principalmente mo-de-obra escrava.
  Mais tarde, depois que o trfico de escravos foi proibido em 1850, muitos trabalhadores imigrantes, sobretudo italianos, tambm comearam a trabalhar nas lavouras de caf, juntamente com os escravos de origem africana.
<111>
  No sculo XIX, alm do caf, o Brasil produzia e exportava produtos como acar, algodo, borracha, cacau, fumo, entre outros. Contudo, foi a exportao do caf que acabou gerando os maiores rendimentos para o nosso pas naquela poca.
  As riquezas geradas pelo caf provocaram profundas transformaes na vida brasileira. Tambm ocasionaram o crescimento e a modernizao das cidades que ficavam localizadas prximas s reas produtoras de caf, principalmente o Rio de Janeiro, capital do Imprio, e So Paulo.
<P>
  Veja, a seguir, algumas mudanas que aconteceram nessas cidades.

<R+>
_`[{foto mostrando algumas manses numa rua arborizada_`]
 Legenda: Nas principais ruas de So Paulo e do Rio de Janeiro, comearam a ser construdas luxuosas manses. Essas moradias passaram a abrigar os fazendeiros de caf e seus familiares que se mudavam das fazendas para as cidades.
  A fotografia acima retrata um trecho da avenida Paulista, no final do sculo XIX.

_`[{desenho mostrando a fachada de um prdio onde est escrito: Estrada de Ferro D.P II_`]
 Legenda: Vrias ferrovias foram construdas para ser utilizadas, principalmente, no transporte do caf at os portos de embarque.
  Essa gravura representa a estao de trens do Rio de Janeiro. Essa estao fazia parte da Estrada de Ferro D. Pedro II, que ligava as cidades do Rio de Janeiro e So Paulo.

_`[{foto de um prdio com inmeras janelas_`]
<112>
 Legenda: Muitos cafeicultores aplicaram parte de seus rendimentos na instalao de indstrias, bancos ou estabelecimentos comerciais.
  Entre as primeiras indstrias instaladas no Rio de Janeiro e em So Paulo estavam as de fiao, tecelagem e produtos alimentcios.
  A fotografia acima retrata o Moinho de Trigo Matarazzo, fundado no ano de 1900, em So Paulo.

_`[{foto descrita por sua legenda_`]
 Legenda: A riqueza gerada pelo caf favoreceu a instalao de lampies a gs, que substituram os antigos lampies a querosene.
  Nessa fotografia,  possvel observar um acendedor de lam-
  pies a gs, na cidade do Rio de Janeiro.
<113>

_`[{foto mostrando bondes puxados por burros, numa rua pouco movimentada_`]
 Legenda: As rendas da exportao do caf tambm financiaram a implantao de um novo meio de transporte coletivo nas cidades, o bonde puxado por burros.

  Quais das transformaes ocorridas nas cidades do Rio de Janeiro e So Paulo durante o reinado de D. Pedro II voc achou mais interessante? Por qu?
  O lugar onde voc vive tambm passa por transformaes. Procure se lembrar de algumas mudanas que ocorreram ou que esto ocorrendo nesse lugar e conte para os colegas. Comente tambm quais so os benefcios dessas mudanas para os moradores.
<R->
<P>
 bom saber

  Muitas pessoas investiram na modernizao das cidades no sculo XIX. Entre os empresrios que surgiram naquela poca destacou-se Irineu Evangelista de Souza, o Visconde de Mau. Esse empresrio foi responsvel por importantes realizaes, entre elas:

<R+>
 -- construo da primeira ferrovia brasileira, no Rio de Janeiro;
 -- fundao de uma companhia de gs para iluminao de rua, no Rio de Janeiro;
 -- fundao de uma companhia de bondes puxados por burros;
 -- instalao de um cabo submarino para comunicao por telgrafo, ligando o Brasil  Europa;
 -- fundao do Banco Mau & Cia., com filiais nas principais cidades brasileiras e agncias no exterior (Buenos Aires, Montevidu, Londres, Paris e Nova Iorque).
<R->

  Apesar dos investimentos feitos, Mau no teve o apoio do governo brasileiro. Com isso, algumas de suas empresas acabaram falindo e outras foram compradas por companhias estrangeiras.
<114>

A vida nas fazendas de caf

  Os primeiros fazendeiros a cultivar caf nas reas prximas ao Rio de Janeiro e So Paulo eram antigos senhores de engenho, tropeiros e mineradores. Essas pessoas passaram a cultivar caf, principalmente, a partir de 1820, quando esse produto estava tendo grande valorizao.
  Nas fazendas de caf, alm da casa-grande onde moravam o fazendeiro e sua famlia, havia outras construes, como a capela, a senzala, a carpintaria e a ferraria. No centro da propriedade costumava ficar o terreiro, um grande ptio onde o caf era colocado para secar.
<P>
  Em algumas reas das fazendas eram cultivadas lavouras destinadas  alimentao dos moradores, por exemplo, de milho, mandioca, feijo, frutas e hortalias. Tambm eram criados porcos, ca-
 bras, vacas e galinhas.
  Observe a imagem a seguir. Ela representa a sede de uma fazenda de caf no vale do rio Paraba, no sculo XIX.

<R+>
_`[{uma grande extenso de terras cultivadas, perto de algumas construes_`]
 Legenda: Reproduo de uma tela feita no sculo XIX, pelo artista alemo Georg Grimm. Nela  possvel observar as construes que costumavam fazer parte das fazendas de caf.

 Algumas construes que geralmente existiam nas fazendas de caf tambm eram encontradas nos engenhos. Quais so essas construes?
<R->

  Nas fazendas de caf havia muito trabalho para ser realizado. Era preciso fazer o plantio e cuidar das lavouras, consertar cercas e estradas, fabricar diversos produtos, como farinha, sabo, velas, tijolos...
<115>
  Para realizar todo esse trabalho, os fazendeiros empregavam vrios trabalhadores livres. Porm, durante muito tempo, a maior parte do trabalho era realizado por escravos, que eram trazidos, principalmente, das antigas reas de minerao e dos engenhos de acar.

<R+>
_`[{foto descrita por sua legenda_`]
 Legenda: Reproduo de uma gravura feita em 1858 pelo artista francs Victor Frond. Nessa imagem, ele retrata escravos em frente  senzala, com as ferramentas de trabalho, aguardando o momento de partir para o trabalho na roa.
<R->
<P>
  O texto a seguir descreve como era o dia-a-dia dos escravos das fazendas de caf. Leia-o.

  A jornada de trabalho comeava antes de clarear o dia, por volta de quatro ou cinco horas da manh. s dez, o sino da fazenda anunciava o almoo, constitudo basicamente de feijo, angu e farinha de mandioca; s vezes, um pedao de abbora ou de inhame e, mais raramente, de carne-seca ou toucinho enriquecia a refeio. s treze horas, novo intervalo para o caf, adoado com rapadura [...]; finalmente, s dezesseis horas, jantava-se o que havia sobrado do almoo.
  Depois de um dia estafante na lavoura, muitas vezes os escravos ainda trabalhavam  noite, realizando tarefas como debulhar milho, torrar e pilar caf, cortar lenha.
<P>
Encerradas as atividades, eram todos trancados na senzala [...].

<R+>
*Saga*: a grande histria do Brasil. So Paulo, Abril Cultural, 1981.

  Compare o modo de vida dos escravos das fazendas de caf, descrito acima, com o modo de vida dos escravos dos engenhos de acar, apresentado na pgina 86. Observe e comente os seguintes aspectos: a moradia, a jornada de trabalho e a alimentao.
<R->

  Depois, com os colegas, verifiquem se houve mudanas no modo de vida e no tratamento que era dado aos escravos, de uma poca para outra. 

<116>
A queda da Monarquia

  No final do sculo XIX, havia vrios grupos da sociedade brasileira que estavam insatisfeitos com a Monarquia e com o governo de D. Pedro II, entre eles os cafeicultores, militares, jornalistas e comerciantes.
  Esses grupos acreditavam que a centralizao do poder nas mos do imperador atrapalhava o desenvolvimento do Brasil. Eles queriam ter uma maior participao nas aes do governo e participar das decises relacionadas  poltica do caf. Por isso, iniciaram o Movimento Republicano. Esse movimento defendia o fim da Monarquia e a instalao de uma Repblica no Brasil.

<R+>
_`[{desenho mostrando um homem empurrando o trono do imperador que cai sentado no cho_`]
 Legenda: As idias republicanas eram divulgadas, principalmente, nos jornais. Um dos recursos utilizados eram as charges, que procuravam ridicularizar o governo de D. Pedro II.
  Reproduo de uma charge feita por ngelo Agostini, na dcada de 1880.

 A charge apresentada acima representa o imperador D. Pedro II sendo derrubado do trono. Na sua opinio, qual  o significado dessa charge?
<R->

 bom saber

  No final da dcada de 1880, o Movimento Republicano contava com adeptos na maioria das provncias. O apoio  Monarquia era cada vez menor, e D. Pedro II tinha muitas dificuldades para governar.
  Um dos ltimos grupos que ainda apoiavam a Monarquia era o dos senhores de escravos. Porm, D. Pedro II acabou perdendo esse apoio aps a assinatura da Lei urea, que aboliu a escravido em 13 de maio de 1888. Com o fim da escravido, os senhores de escravos sentiram-se prejudicados pelo governo, e tambm passaram a apoiar o Movimento Republicano.

<117>
  No final do ano de 1889, a oposio ao governo imperial era muito grande, e D. Pedro II havia perdido o apoio de quase todos os setores da sociedade.
  Em 15 de novembro de 1889, o marechal Deodoro da Fonseca, apoiado por tropas do exrcito, tomou o poder e proclamou a Repblica, tornando-se o primeiro presidente do nosso pas.
  Assim, acabava a Monarquia e comeava a Repblica no Brasil.
  A maioria da populao no teve participao no movimento que deu origem  repblica. Um jornalista que presenciou os eventos do dia 15 de novembro afirmou que a populao assistiu a tudo sem entender o que estava acontecendo.

<R+>
_`[{imagem mostrando um grupo de homens usando uniformes milita-
<P>
  res e com espadas, perto de alguns canhes_`]
 Legenda: A imagem  a reproduo de uma tela produzida por Benedito Calixto, em 1893. Nessa pintura ele representa o momento em que o marechal Deodoro da Fonseca proclamou a Repblica.

O que diz a imagem

 1- Que grupo da sociedade aparece retratado em destaque nessa tela?
 2- Quais elementos retratados revelam que se trata desse grupo?
<R->

  Assim que assumiu o poder, o governo republicano tomou uma srie de medidas. Veja, a seguir, algumas dessas medidas.
<R+>
 -- Exlio de D. Pedro II e sua famlia, para evitar qualquer resistncia dos defensores da Monarquia.
<P>
 -- Criao de uma nova Bandeira Nacional, para substituir a bandeira do Imprio do Brasil.
 -- Convocao de uma Assemblia Constituinte, com o objetivo de
  elaborar a primeira Constituio da Repblica.

 Quantos anos durou o reinado de D. Pedro II?
 Qual foi a participao da populao no movimento que deu origem  Repblica?
<R->

<118>
Mais atividades

Registrando informaes

<R+>
 Na linha do tempo a seguir aparecem registrados alguns dos principais fatos ocorridos no Brasil no sculo XIX. Leia as informaes sobre esses fatos e escreva as letras e as datas em que cada um dos fatos ocorreu. Por exemplo, o fato cor-
<P>
  respondente  letra A ocorreu no ano 1808.
<R->

<R+>
_`[{linha do tempo adaptada. Transcrio a seguir_`]
 1808 -- Chegada do prncipe D. Joo e da Corte portuguesa ao Rio de Janeiro. (A)
 1815 -- O Brasil  elevado  condio de Reino Unido a Portugal e deixa de ser colnia. (B)
 1817 -- Revoluo Pernambucana. (C) 
 1821 -- D. Joo e a Corte portuguesa retornam a Portugal. (D) 
 1822 -- Proclamao da Independncia do Brasil por D. Pedro. (E)
 1824 -- D. Pedro I outorga a #,a Constituio do Brasil. Os pernambucanos no aceitam essa Constituio e iniciam a revolta chamada Confederao do Equador. (F)
 1831 -- D. Pedro I renuncia ao governo do Brasil e tem incio o perodo do governo regencial. (G)
 1835 -- Incio da Revolta da Cabanagem e da Revolta dos Farrapos. (H)
 1837 -- Incio da Revolta da Sabinada. (I)
 1838 -- Incio da Revolta da Balaiada. (J)
<119>
 1840 -- Fim do perodo regencial e incio do governo de D. Pedro II. (L) 
 1845 -- Fim da Revolta dos Farrapos. (M)
 1848 -- Revoluo Praieira. (N)
 1850 -- Proibio do trfico de escravos africanos para o Brasil. (O)
 1860 -- 
 1870 -- 
 1888 -- Abolio da escravido no Brasil. (P)
 1889 -- Proclamao da Repblica no Brasil. (Q)
 1890 -- 

 Em que ano o Brasil deixou de ser colnia?
 Aproximadamente, quanto tempo D. Joo e a Corte portuguesa permaneceram no Brasil?
 Aproximadamente, quantos anos se passaram desde a chegada da Corte portuguesa ao Rio de Janeiro at a Proclamao da Independncia?
 Quanto tempo, aproximadamente, durou o governo regencial no Brasil?
 Em que ano teve incio a Repblica no Brasil?
 A abolio da escravido ocorreu em que perodo: na poca em que o Brasil era colnia, no perodo de Reino Unido, na Monarquia ou na Repblica?
 Quanto tempo, aproximadamente, durou a Monarquia?
<R->

               xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxo

Fim da Segunda Parte